Quando o amor ...

janeiro 30, 2011

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Acenar, siga-o, ainda que por caminhos ásperos e íngremes.
E quando suas asas o envolverem, renda-se a ele
ainda que a lâmina escondida sob suas asas possa feri-lo.
E quando ele falar a você, acredite no que ele diz,
ainda que sua voz possa destroçar seus sonhos,
assim como o vento norte devasta o jardim.
Pois, se o amor o coroa, ele também o crucifica.
Se o ajuda a crescer, também o diminui.
Se o faz subir às alturas e acaricia seus ramos mais tenros
que tremem ao sol, também o faz descer às raízes
e abala a sua ligação com a terra.
Como os feixes de trigo, ele o mantém íntegro.
Debulha-o até deixa-lo nu.
Transforma-o, livrando-o de sua palha.
Tritura-o, até torna-lo branco.
Amassa-o, até deixa-lo macio;
e então submete ao fogo para que se transforme em pão
no banquete sagrado de Deus.
Todas essas coisas pode o amor fazer
para que você conheça os segredos do seu coração,
e com esse conhecimento se torne um fragmento da vida.  

                        - Khalil Gibran -
                                                                             

A menina avoada

janeiro 26, 2011

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Imagem - Ann Sullivan    
            - Trecho do poema infantil A Menina Avoada, de Manoel de Barros - 

Frenesi

janeiro 25, 2011

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A felicidade corre sem parar
Bela é uma cidade velha

Na velocidade a tarde leva o teu olhar 
Longe descansar na estrela

                                                   - Fausto Nilo / Petrúcio Maia-Ferreirinha -

Pássaros Feridos

janeiro 23, 2011

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Foto: Mike McKavett
Existe uma lenda acerca de um "pássaro" que só canta uma vez na vida,
com mais suavidade que qualquer outra criatura sobre a terra.
A partir do momento em que deixa o ninho, começa a procurar um espinheiro-alvar,
e só descansa quando o encontra.
Depois, cantando entre os galhos selvagens, 
empala-se no acúleo mais agudo e mais comprido.
E, morrendo, sublima a própria agonia 
e despede um canto mais belo que o da cotovia e o de rouxinol.
Um canto superlativo, cujo preço é a existência.
Mas o mundo inteiro pára para ouvi-lo, e Deus sorri no céu.
Pois o melhor só se adquire à custa de um grande sofrimento ...
Pelo menos é o que diz a lenda.
O pássaro com o espinho cravado no peito segue uma lei imutável;
impelido por ela, não sabe o que é empalar-se, e morre cantando.
No instante em que o espinho penetra não há consciência nele do morrer futuro;
limita-se a cantar e canta até que não lhe sobra vida para emitir uma única nota.
Mas nós, quando enfiamos os espinhos no peito, nós sabemos.
Compreendemos.
E assim mesmo o fazemos...

- Colleen McCullough in Pássaros Feridos, 1985 -

Alma

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Há noite?
Há vida?
Há vozes?
Que espanto nos consome
de repente, mirando-nos?
(Alma, como é teu nome?)
                                                                                                              - Camões -


Quarto Motivo da Rosa

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Não te aflijas com a pétala que voa:
também é ser, deixar de ser assim.

Rosas verá, só de cinzas franzida,
mortas, intactas pelo teu jardim.

Eu deixo aroma até nos meus espinhos
ao longe, o vento vai falando de mim.

E por perder-me é que vão me lembrando,
por desfolhar-me é que não tenho fim.

                                                                             - Cecília Meireles -